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Saudação do novo pároco à comunidade de Rio de Mouro


Nesta tarde em que tomo posse como pároco da paróquia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro e em que é, também, apresentado no novo vigário paroquial, o Rev. Padre Nuno Alexandre Vicente, renovo juntamente com ele a nossa gratidão a Deus pelo dom do ministério recebido em favor do Povo de Deus.

Saudamos todos os presentes, particularmente as autoridades políticas, civis e militares, bem como o Senhor D. Joaquim Mendes, os presbíteros e diáconos e religiosas. 

Saudamos as nossas famílias e amigos que nos acompanham no caminho da vida, assim como todos os que por razão de serviços pastorais anteriores se fazem presentes.

Saudamos todos os habitantes desta paróquia de Rio de Mouro com os quais queremos aprender e aos quais manifestamos a disponibilidade da nossa entrega.

Saudamos todos os construtores desta comunidade cristã, os membros do Conselho pastoral paroquial, do Conselho para os assuntos económicos, da direção do Centro comunitário e demais agentes de ação pastoral, assim como todos os párocos e outros presbíteros e diáconos que serviram esta paróquia. Damos graças pelos filhos desta terra que abraçaram a vida sacerdotal ou religiosa, de modo particular o Padre Paulo Serra e a irmã Ana Beatriz, cujas vidas nos enriquecem e alegram. Lembramos com saudade, o Padre Ricardo Neves e o Diácono Carlos Martins que do céu velam por nós, assim como acompanhamos as suas famílias com a nossa oração e afeto.

Chegados a esta terra de Nossa Senhora de Belém, tomamos como inspiração o ambiente dos acontecimentos ocorridos nessa pequena cidade que viu nascer o nosso salvador (cf. Lc 2, 1-21).

À semelhança dos pastores de Belém ou dos Magos do Oriente, também nós recebemos o sinal que nos deveríamos dirigir a toda a pressa para este lugar (Lc 2, 16). Dado o tempo decorrido entre a nossa nomeação e a tomada de posse, mais parecemos os magos vindos de longe e, por isso, tardantes na chegada.

No entanto, aqui estamos como Pedro, sem ouro nem prata, incenso e mirra, mas com o único tesouro que transportamos nos nossos frágeis vasos de barro: o Senhor Jesus Cristo e a alegria do encontro com Ele (cf. At 3, 5; Mt 2, 11; 2 Cor 4,7).

Belém é a cidade da paz e da alegria, como cantaram os anjos naquela noite: «paz na terra entre homens de boa vontade» (Lc 2, 14b). A Belém acorrem todos para adorar o Deus feito homem acabado de nascer. Belém é lugar de encontro, a casa da família e o terreno fértil.

 

Belém é lugar de encontro. Como em Belém, esperamos ser homens de paz e de diálogo com todos os homens e mulheres de boa vontade que, em consciência reta e no espírito da construção do bem comum, quiserem fazer da nossa comunidade um lugar melhor para todos, particularmente para os mais pobres, vulneráveis e excluídos.

Outrora repleto de campos e terrenos férteis, Rio de Mouro tornou-se, nas últimas décadas, um lugar urbano, multicultural e plurirreligioso. Por vezes o mundo atual tende a promover o anonimato, a indiferença, as desigualdades e a exclusão. Queremos ser parte de soluções criativas que promovam a fraternidade, a aceitação mútua e a convivência na diversidade.

 

Belém é a casa da família. Em Belém contemplamos a vida familiar de Jesus com Maria e José. «Maria é uma mãe que contempla o seu menino e o mostra a quantos querem visitá-lo» (AS, 7). José «é o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família» (AS, 8). Como pastores desta comunidade, sentimos de perto as alegrias, anseios, feridas e derrotas da vida familiar. Queremos caminhar com as nossas famílias, nos seus momentos de graça e de luz, mas também nas situações de sombra e escuridão.

Chamamos a atenção para a grave crise na habitação, o aumento de custo de vida, os desafios da educação integral dos filhos e das expectativas dos mais jovens, a inclusão dos idosos e as tensões e ruturas nas relações conjugais.

 

Belém é terreno fértil e casa do pão para todos. Na origem do nome da cidade de Belém-Éfrata encontramos a identidade e missão da Igreja: ser um campo fértil e fecundo, que ofereça a todos o alimento saboroso que é a pessoa de Jesus Cristo.

Quando a Igreja se cansa de trabalhar a terra, desiste de fazer a sementeira e de cuidar dela, de colher os frutos e de os festejar, torna-se árida e estéril. O antídoto contra o cansaço é o zelo apostólico e a paixão pela evangelização, como nos alertou o Papa Francisco: «quando estamos desanimados [...] aposentamo-nos do zelo apostólico, [...] tornamo-nos funcionários do sagrado [e] assaltam-nos mil justificações para não lançarmos [mãos ao trabalho]». A Igreja, continua o Papa, «é sinodal, é comunhão, ajuda mútua, caminho comum. [... Nela] deve haver lugar para todos. [...] «Que a Igreja não seja uma alfândega para selecionar quem entra e quem não entra». [1]

Belém é terreno fértil de esperança, como anuncia o profeta: «O Senhor fará brotar rios na terra árida [...] e transformará o deserto num lago e a terra seca em nascentes de água» (cf. Is 41, 18).

A estrela que surge e brilha torna-nos peregrinos, guia os nossos passos até Belém. Eu e o padre Nuno somos dois. Os magos vindos do Oriente eram três, pelo menos a contar pelos presentes que ofereceram. O terceiro és tu, é cada um de vós.

Oxalá que nunca encontrem em nós a confusão do palácio de Herodes, mas sempre a indicação do caminho que vos conduza até à cidade do encontro, à casa da família e ao terreno fértil.  

Pe. Tiago Neto, 08 de outubro de 2023

 

[1] Cf. Vésperas com os Bispos, os Sacerdotes, os Diáconos, os Consagrados e as Consagradas, os Seminaristas e os Agentes de Pastoral, Lumen, 84, III, nº 4, 29-35.

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